Preconceito linguístico: entenda como ele pode afetar o seu negócio e como evitar isso na empresa!

imagem de um homem e uma mulher sentados conversando

Você já ouviu falar sobre preconceito linguístico? Num primeiro momento, pode ser que você diga não, porém, quem vive em locais onde a fala tem um sotaque marcante, certamente sabe bem do que estamos falando.

O preconceito linguístico existe, e embora muitas pessoas se neguem a assumir, um estudo das universidades de Chicago e Munique concluiu que o sotaque pode sim, interferir e penalizar até 20% dos salários.

Teoricamente, processos seletivos devem avaliar apenas as capacidades que um profissional tem de desempenhar bem algumas atividades específicas, mas, na prática, é muito comum que aconteçam casos de preconceito linguístico durante o processo de contratação de pessoas em algumas empresas.

Esse tipo de preconceito também pode acontecer no dia a dia das corporações e pode partir de um profissional com seu colega de equipe, ou, até mesmo de clientes. Porém, é muito importante que esse tipo de atitude discriminatória seja desestimulada. 

Para que você consiga identificar se esse tipo de falha acontece ou prejudica a cultura da sua empresa, reunimos neste conteúdo um pouco sobre o assunto. Aqui abordaremos:

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O que é preconceito linguístico?

imagem de três homens falando mal de outro homem na frente deles

O preconceito linguístico é definido como o ato ou pensamento discriminatório relacionado a forma que um indivíduo se expressa com a linguagem verbal. Esse tipo de julgamento costuma atingir classes sociais menos favorecidas devido à falta de acesso escolar e também a regionalidades e sotaques. 

A intolerância da linguagem é geralmente causada pela ideia de superioridade e também pela crença de que existe apenas uma única língua correta, e que quem não segue a norma culta escrita e falada está utilizando o português de maneira incorreta.

Contexto histórico: Brasil

Ao falarmos sobre preconceito linguístico no país, é impossível não citarmos a formação do Brasil, com base no português tradicional, e também no português “abrasileirado” que usamos por aqui.

O português teve origem na região da Galiza, norte de Portugal, a mais de um milênio, e é uma das dez línguas derivadas do latim, que já existe há mais de 2.700 anos.

Quando focamos no vocabulário português brasileiro, notamos que, com o passar dos anos, muitas expressões se transformaram ou foram criadas, adaptando as variações do nosso país, como a língua indígena, as misturas de colonização e a fusão de tantos povos em um mesmo país.

O amplo território do Brasil também é um dos motivos da diversidade linguística do país, que pode ser notada pelos vários sotaques diferentes ao longo das cinco regiões do Brasil, onde existem mais de 16 dialéticas diferentes.

Por conta do tamanho geográfico do Brasil, e da diversidade cultural que aqui existe, muitos estudiosos afirmam ser impossível existir um padrão de português correto para todo o país, afinal, em cada localidade as pessoas estão acostumadas com sotaques e palavras diferentes, o que acaba nos fazendo esbarrar no chamado preconceito linguístico.

Consequências do preconceito linguístico no mercado de trabalho

Como deu para perceber até aqui, o preconceito linguístico existe sim, e se faz muito presente no cotidiano das pessoas, inclusive no mercado de trabalho, onde todos os tipos de intolerâncias realmente não deveriam ser permitidas.

Isso porque, muitos profissionais de excelência podem sofrer com retaliações no ambiente de trabalho, ou, simplesmente não serem contratados, simplesmente por não falarem a língua considerada padrão em algumas regiões.

Ainda hoje, muitos candidatos são eliminados em processos seletivos por motivos que podem variar, mas, acontece de profissionais se sentirem discriminados por possuírem um sotaque “diferente”, ou utilizarem dialetos e outras questões relacionadas à linguagem falada e escrita. 

Além disso, existem dois fatores que podem fortalecer o preconceito linguístico no mercado de trabalho, são eles: a regionalidade e questões socioeconômicas.

No primeiro caso, os candidatos são desconsiderados do processo por virem de regiões fora dos centros urbanos considerados principais, como o Sudeste. 

Além disso, existem os rótulos regionais, como “nordestino analfabeto” ou “goiano caipira”, que, infelizmente, ainda estão presentes no pensamento e no discurso de muitos brasileiros.

No segundo cenário apontado, o preconceito linguístico reflete a sociedade, onde o poder econômico influência em contratações.

Segundo Marcos Bagno, professor estudioso de preconceito linguístico, linguista e filólogo, muitas pessoas utilizam a linguagem como ferramenta para dominação e superioridade, tendo em vista que o desconhecimento da norma-padrão, de acordo com essas pessoas, representa um baixo nível de capacidade profissional. 

Esses são apenas alguns dos diversos fatores que tornam o preconceito linguístico um verdadeiro problema no mercado de trabalho, principalmente para pessoas com menor poder aquisitivo e baixo índice educacional.

Como evitar o preconceito linguístico na empresa?

O preconceito linguístico pode ter um forte impacto negativo, não só os colaboradores que sofrem com esse preconceito, mas na empresa em sua totalidade.

É muito importante que os gestores se preocupem não só em oferecer benefícios financeiros para seus funcionários, mas oferecer também um ambiente de trabalho saudável, que os motive e não seja considerado ambiente tóxico.

Sendo assim, é fundamental que a estrutura das corporações seja baseada em colaboração, união, motivação, e entendimento das necessidades de todos, desde o profissional do setor de limpeza, até o colaborador do mais alto escalão.

As políticas internas dos negócios devem ser definidas com regras que valorizem a boa comunicação, incentivem a integração entre pessoas, e valorizem as diferenças, incluindo a variação linguística que é muito comum no território brasileiro.

Além disso, as empresas precisam atuar firmemente em políticas organizacionais que abominem ações discriminatórias, e quando possível, incentivem a educação, incluindo programas de linguagem inclusiva, oficinas educativas e palestras sobre possíveis situações consideradas preconceito, linguístico ou não.

Criar um padrão de linguagem inclusiva dentro da empresa

Atualmente, é muito comum que as empresas incluam palestras educativas, tenham uma comunicação mais horizontal com seus profissionais, e estimulem as diferenças, ainda assim, situações de preconceito ainda existem.

A promoção da inclusão é muito falada, mas ainda pouco praticada, por isso, é essencial que as empresas promovam a inclusão dentro das suas organizações, a fim de estimular a mudança de hábitos ruins nas pessoas.

A linguagem inclusiva se tornou essencial na cultura organizacional e política dos negócios, a fim de evitar casos de discriminação no local de trabalho. Esse posicionamento tornou os negócios mais preparados para lidar com situações de constrangimento dentro de suas corporações, e também criou uma rede de apoio para os trabalhadores.

A inclusão deve se tornar algo normal no dia a dia das empresas, incentivando que as pessoas se acostumem a aprender com as diferenças, sejam elas de linguagem, de adaptação, ou de opção.

Desenvolver a linguagem inclusiva entre as equipes de um negócio tem como principal objetivo proporcionar maior representatividade por meio da valorização da fala e escrita. Isso traz referências de identidade a todas as pessoas que fazem parte do quadro de funcionários da empresa, de modo individual e como organização. 

Abordar o assunto com colaboradores

Um dos pontos essenciais para inserir uma linguagem mais inclusiva em uma empresa, é discutir constantemente o assunto com os colaboradores. 

Além de oferecer maior espaço para aqueles que sofrem com o preconceito, é importante garantir que todos os funcionários estejam cientes de possíveis problemas de discriminação dentro e fora do local de trabalho. 

Esse tipo de situação deve ser discutida, seja por meio de bate-papos ou palestras, ou por outras formas, que mantenham todos os profissionais informados dos fatos, e também expressem o posicionamento contrário do negócio ao que diz respeito a qualquer tipo de preconceito.

Qual o papel do RH nessas situações?

imagem de um homem em pé falando para quatro pessoas sentadas em uma mesa

O preconceito linguístico em muitos momentos tem a capacidade de afetar a percepção dos outros, e o setor de RH é o elemento-chave para mitigar qualquer tipo de intolerância inserida entre as equipes. 

O departamento é definido como aquele que cuida da satisfação e continuidade dos colaboradores, e corroboram para o desenvolvimento de um trabalho saudável e eficiente. 

É recomendável, primeiramente, refletir sobre o processo de contratação e observar se este é inclusivo e não tendencioso a padrões e exigências de linguagem, pois, isso pode frustrar os esforços de diversidade, recrutamento, promoção e retenção de talentos nas empresas.

Além disso, outros pontos que podem ser abordados pela equipe de Recursos Humanas são: 

Promoção de um ambiente com respeito a diferenças

A diversidade e o respeito precisam ser um posicionamento enfatizado dentro da empresa, e o RH, como parte essencial na gestão de pessoas, pode optar por promover programas de inclusão para o aprendizado e maior engajamento entre os colaboradores. 

Os profissionais de Recursos Humanos devem trabalhar ativamente no fortalecimento da cultura da empresa, e estimular o bem-estar coletivo dos profissionais em todos os quesitos. 

Dar atenção aos processos internos e disponibilizar meios que facilitem a interação entre os colaboradores é um ótimo primeiro passo para o RH promover o respeito às diferenças no ambiente de trabalho, pois, isso demonstra aos trabalhadores que a empresa realmente se preocupa com todas as situações no seu negócio.

Capacitações sobre a linguagem da empresa

De maneira alguma, a linguagem deve ser fruto de qualquer tipo de preconceito dentro de uma empresa, por isso, o RH deve estar sempre preparado para lidar com as adversidades, e desestimular preconceitos.

Investir em uma comunicação transparente é o primeiro passo para que a cultura e os valores do negócio se reflitam no seu ambiente interno, e esses valores podem ser fortalecidos com capacitação e educação.

Todo o aprendizado deve ser estimulado, principalmente no ambiente de trabalho, seja com cursos, palestras, dinâmicas, ou até a troca de conhecimento no dia a dia, onde as pessoas devem trocar suas experiências tanto de trabalho como de cultura, principalmente quando essa cultura for diferente. 

Incentivo à diferentes leituras

A variação linguística pode se apresentar tanto pela fala, quanto pela escrita, por isso, é bastante relevante quando as empresas estimulam o conhecimento dos seus profissionais, lhes oferecendo cultura por meio de livros

Além disso, o incentivo à leitura pode ser uma forma de estimular outros aprendizados dentro das empresas, por isso, sempre que possível é importante oferecer livros para os colaboradores, no intuito de torná-los não só mais sábios, mas também mais preparados  e conhecedores das variações linguísticas. 

Há muitas maneiras de estimular o hábito a leituras diferentes, seja por meio de benefícios financeiros para a compra de livros, como criando um espaço de leitura interno, que os profissionais possam acessar para seu entretenimento literário. 

Conclusão

imagem de duas mulheres e um homem sentados conversando

Por meio dessa leitura deu para entender que é o preconceito linguístico, e como esse problema é comum, frequente, e deve ser desestimulado, principalmente no ambiente corporativo.

Como vimos, existem diversas causas que geram o preconceito linguístico, como a condição socioeconômica, regional e cultural dos indivíduos. 

Aprendemos também que é preciso ter em mente que as línguas são mutáveis, ou seja, passam por adaptações, senso assim, não existe certo ou errado, e é fundamental que as pessoas saibam lidar com a diversidade linguística, principalmente em um país tão grande e cheio de variações linguísticas como o Brasil.

Esses fatores impactam tanto as pessoas como o mercado de trabalho, e a maneira como as empresas lidam com o preconceito linguístico pode refletir sua política interna, sua visão de mundo e sua cultura empresarial.

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